Coluna Especial: Opinião

Há dois anos longe do jornalismo (desde que trabalhei em São Paulo capital como modelo e no nordeste como cantora) já não paro mais em frente ao computador para escrever um texto, quanto mais opinativo! Mas hoje parei meu dia, para essa finalidade. Sobre a generalização do Assédio. A mídia brasileira não sabe ser específica, nunca soube, e a sociedade infelizmente possui um atraso crítico, tudo que a mídia lança se torna fato consumado! Sem muitas análises. Recentemente comentou-se o caso “Assédio por parte da estrela José Mayer” e não se fala mais outra a coisa a não ser que o “meio artístico é podre”!

Não, o meio não é podre!

É muito menos podre do que muitos outros meios profissionais pode-se ter certeza disso! Não é porque um “Mayer” fez isso (dentro de algum momento psicológico dele, ou distorção comportamental justificável ou não), que todos os homens do meio midiático assim o são.

E tenho algo a dizer, trabalhei no SBT no programa da Eliana, fiz participação no ballet da Record, trabalhei como modelo na Rede Vida e Rede Brasil e tenho amigos homens na Rede Globo, e nunca, nunca sofri um tipo de assédio, assim como tenho amigas e familiares no SBT, Record, Globo que estão lá não porque cederam assédio, mas porque se capacitaram, fizeram um networking (contatos) saudável e construtivo e conquistaram seu espaço, assim como foi comigo.

Generalizar o assédio é dizer que grande parte das profissionais que ali estão cederam ao mesmo, e isso NÃO É verdade! Assim como nem todos os homens desse meio são como o Mayer. Vejo essa generalização e o preconceito que isso gera; e ainda como isso só traz mais atraso a nossa sociedade!

Recentemente, uma pessoa me perguntou o que “aprontei” para conseguir gravar meu clipe! Fiquei em silêncio, mas somente eu sei do dinheiro que deixei de comprar as roupas e sapatos que aquela pessoa possui para pagar meu curso de canto, ou workshop. Dos dias viajando com bandas no nordeste, longe da família e de casa, sem internet, com a bateria do celular no fim, dividindo quarto do hotel com ballet de banda, comendo comidas de outras regiões que eu não estou adaptada. Só eu sei do tempo e suor que dedico todos os dias lendo sobre ritmo, rima, autoria, composição e outros assuntos para chegar ao estúdio e saber dialogar com a mesma “língua” e conceito desde com o arranjador, o instrumentista, o produtor ou o compositor. Dos “metrôs lotados” que encarava para chegar a tempo na gravação na TV em São Paulo, dos sábados de manhã no curso de dança. Aí ouvir “você saiu com alguém?” ou “você faz macumba” – como também já ouvi – para gravar seu clipe?

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Não, nem todo mundo assedia e pegar geral no meio não traz progresso, nem gravação de música, de clipe ou em TV. Não! Povo não se engane, nem é tão simples assim, se fosse era até fácil né? Saiu, “pegou”, pronto conseguiu seu espaço! Quem faz ainda trabalhou e estudou para fazer. Não generalize o meio! Aliás, não generalize nenhum meio, nem todo jogador mata sua amante, nem todo político é ladrão, nem todo policial abusa de autoridade, nem todo padre é um abusador infantil, nem todo pastor é um manipulador e nem todo artista age com armas sexuais para coagir ou conquistar o que quer que seja. Generalizar é preguiça de pensar. Sejamos específicos em análises e avaliações, uma sociedade equilibrada e coerente precisa dessa cautela!

E o papel da mídia é essa coerência, essa tranquilidade, essa mente sadia para avaliar fatos.

Isso torna tudo mais inteligente e responsável, mais honesto, mais justo com todos os profissionais do meio. Que compartilhemos a ideia, que promovamos a cultura do equilíbrio nos julgamentos e pensamentos, e que façamos uma sociedade justa e sem preconceitos.

Sem mais!

Nathália Bragalda, jornalista e cantora

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