Atriz e produtora de conteúdo, Priscilla Pugliese é idealizadora e acabou de encerrar mais um projeto grande sucesso, “A Melhor Amiga da Noiva”, inspirada em uma fanfic de romance de um integrante de uma banda.

A produtora da atriz, o Ponto Ação Produções, é especializada na produção de web séries e tem como visão o apoio a autores, que apesar de terem boas histórias, sofrem com a falta de recursos necessários para suas produções.

No começo de seu descobrimento no meio do teatro, o que foi mais curioso é o fato de uma atriz que no começo não possuía a mínima intenção de trabalhar com a arte, e hoje em dia é dona de sua própria produtora. O que a fez mudar de ideia? Eu sempre gostei, sempre quis assistir teatro, sempre quis ir ao teatro. Eu gostava do palco, só que meus pais não tinham essa cultura, eles não ligavam. Minha mãe era bancária, um lado mais administrativo, e meu pai era do esporte, então esse era meu ambiente: uma bola e um computador. Eu sempre quis conhecer o teatro, na minha escola tinha, mas eu não queria fazer, só ver. Até que um dia, uma prima minha, que gostava, me chamou para ir e fiz um ano de teatro. Logo depois, sai e comecei a fazer cover, e assim descobri minha paixão pelo palco, mas era mais aquela sensação gostosa de você ser alguém que não é você, cada dia ser alguém diferente. Nessa época eu já estava indo fazer arquitetura, que era o que eu queria seguir. E então uma amiga me chamou para fazer um curso de Cinema e TV. Durante meio ano, que era um período, eu notei que não poderia viver sem aquilo. Eu me apaixonei pela câmera, me apaixonei pela mágica da TV. Não chegou a ser o teatro, chegou a ser a TV mesmo, aquela coisa de estar filmando aqui e repetir aquela cena várias vezes e de repente o resultado me deixava louca. Eu queria entender como tudo funcionava, como era. E paralelo a isso, gostava de poder ser várias pessoas diferentes, no começo íamos fazendo vários personagens diferentes, e isso me fez mudar de ideia, perceber que não queria arquitetura e que minha vida era a atuação. Eu preciso ser pessoas diferentes, eu preciso trazer coisas diferentes para as pessoas que estão assistindo, preciso mostrar um novo mundo. E a produtora veio quando acabou o curso e eu notei que não conseguiria parar. Em pensar que eu precisaria procurar alguém para produzir algo ficava nervosa, com medo de não conseguir, então eu falei “eu vou fazer isso acontecer, eu tenho que fazer isso acontecer”.

Algo que descreve a paixão de você em relação a artes é o fato de ver a necessidade de estar sempre atuando. Como você vê esse sentimento dentro de você? Estar sempre atuando. Essa é a frase. Eu termino um projeto e vem duas nostalgias, o fato de eu estar terminando e precisar me despedir e o de pensar que acabou e sentir a necessidade produzir outra coisa porque eu não consigo parar. Às vezes eu paro por uma semana, intervalo de gravação ou por ter alguma outra coisa para fazer e eu fico em casa agoniada, eu procuro ler, procuro assistir filme. É agonizante ficar um período sem produzir. Por mais que eu não esteja atuando, eu preciso pelo menos consumir arte. Preciso ir ao teatro, ir ao cinema, é um sentimento, um nervoso, como se fosse um vício, uma dependência.

Qual é a maior dificuldade na hora de atuar? E qual seria o maior medo que o ator sente no trabalho? Eu não sinto dificuldade porque eu não vejo como algo que tenha pedras no caminho ou que seja tão complicado de ser feito. Eu me cobro muito, então talvez a maior dificuldade na hora de atuar é que eu penso sempre que eu tenho que ir melhor do que eu fui. Eu não fico satisfeita com o que eu faço, é muito difícil eu assistir uma cena e falar “carraca muito bom”. Eu faço uma cena e falo: podia ser melhor nisso, poderia ter sido melhor naquilo. Então não é na hora de atuar, é os pós. Eu me preocupo mais com os pós. Meu maior medo é não poder atuar. Não conseguir me sustentar com isso e precisar fazer outra coisa. Eu não consigo me ver em outra coisa a não ser no teatro. Então meu maior medo é não poder fazer o que eu amo, que é atuar.

Quando finalizou o seu curso, você ganhou a oportunidade de poder interpretar uma vilã em “Sonho de Clara”. Em um papel que muitas vezes é bastante visado por um ator. Qual é a sensação de interpretar uma vilã? Falar do “Sonho de Clara” me deixa bem orgulhosa. Eu passei meus últimos períodos da faculdade sem poder fazer uma vilã. Meu mestre falava que era uma “zona de conforto” para mim. Mas eu tenho essa necessidade, eu gosto de fazer vilão. Eu faço um vilão e deixo de fazer 10 mocinhas, porque eu realmente gosto dos vilões. Então quando eu descobri que eu ia fazer uma vila no “Sonho de Clara”, que aliás, como era nós quem escrevíamos