A Revista Sexy traz Marcelo D2 em sua principal seção de entrevistas, chamada “Sentido da Vida”. O rapper  comentou sobre a volta definitiva do Planet Hemp, falou sobre a violência policial que ainda assola o país, relembrou a primeira vez que viu seu ídolo Bezerra da Silva, contou histórias da época em que serviu o exército e respondeu à pergunta: será que um dia vai parar de fumar maconha?

A volta do Planet Hemp foi assunto e o músico comentou. “O Planet Hemp é muito intenso, tá ligado? Quando a banda acabou, depois da prisão e tal, todo mundo ficou muito fodido um com o outro. Eu fiquei 10 anos sem falar com o Bernardo (Bnegão,vocalista da banda ao lado de D2 e líder do grupo Seletores de Frequência), sem trocar uma ideia. Houve discussões, brigas. Eu me arrependo profundamente, nós nos arrependemos. Nos reencontramos para um show em 2012 e, depois, em 2013 e 14. Falamos: ‘Vamos voltar, vamos fazer coisa nova’. Estamos trabalhando em músicas novas. Nos reunimos toda semana para ir ao estúdio ensaiar”.

Sobre a violência policial, D2 soltou o verbo. “Eu acho que a coisa da violência. Que é o tráfico que traz, né? Isso ainda me soa com muita urgência. Tem uma porrada de moleques de 12, 13 anos com fuzil na mão. Polícia corrupta dando tiro pra cá, moleque dando tiro pra lá e bala perdida. Bala perdida que, na verdade, não é bala perdida. No momento em que o cara puxa o gatilho, ele está assumindo a esponsabilidade. Ainda morre muita gente por causa disso. Outro dia os caras mataram cinco moleques com 120 tiros. Por quê? Porque a polícia é despreparada e superassustada também. Matar alguém com 120 tiros? É execução, né?”.

Foto: Guillermo Giansanti / Divulgação
Foto: Guillermo Giansanti / Divulgação

Perguntamos também sobre a legalização da maconha. “No Brasil é muito difícil. Você faz um plebiscito agora e vai chegar um radical desses gritando: ‘Maconha mata!’, e vai todo mundo sair correndo, sabe? É uma ignorância do caralho também. A gente ainda bota os Sarneys da vida lá. O Collor tá lá! Eu acho que ainda vai ter muita gente que vai ganhar voto e vai se estabelecer dentro da política usando essa máquina do medo. Eu fico impressionado como um cara na favela pode ser contra a legalização da droga. Porque o cara vive com a polícia e o traficante em cima dele. Não pode sair, não chega saúde, não chega escola não chega nada porque ele vive numa guerra. O que o cara tinha que querer é tirar aquela porra de lá. Falar: ‘Meu irmão, quer se drogar? Vai lá na farmácia na Zona Sul comprar sua cocaína, sua maconha. Não enche a porra do meu saco, deixa eu tentar resolver a minha vida. Porque meu filho já não tem escola, não tem saúde, não tem saneamento básico, não tem porra nenhuma’”.

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Marcelo D2 também respondeu se um dia vai parar de fumar maconha. “Hoje eu fumo muito menos. Vi um vídeo do Dráuzio Varella falando dos efeitos das drogas na cabeça. Ele fala que com muito tempo de uso vai fazendo menos efeito. Por isso que maconheiro velho fala: ‘Maconha boa era no meu tempo’. E não é isso. Na verdade, é que a porra da maconha não faz mais o mesmo efeito. Não sei se vou parar de fumar. E se eu parar de fumar não vai mudar a posição política. Hoje em dia tem aquelas canetinhas de canabidiol, sabe qual é? Vende na Califórnia e eu tenho algumas. É a canetinha só com o óleo. Tô usando isso pra caralho aqui. Porque ninguém sabe o que é. Aí, fumo em restaurante, fumo em qualquer lugar. Neguinho fala: “Que porra é essa?”, e respondo: “Tô parando de fumar, é pra substituir o tabaco”. Mas nada é pra vida toda. Acho que algumas coisas, quando elas não estão fazendo bem, vale a pena mudar.”.

Para encerrar, Marcelo D2 deu a opinião sobre a operação Lava Jato. “Acho que não vai mudar porra nenhuma. Roubar no Brasil é um puta bom negócio. O cara rouba 350 milhões, devolve 100 milhões, gasta 50 com o advogado e fica com 200. Tá ótimo. Quem não quer um negócio desses? É bom pra qualquer um. Porra, é meio triste. Eu não vejo uma solução a curto prazo. Porque, quando você vê um país onde a escola pública é um lixo e as escolas particulares também, complica. Porque o ensino no Brasil ta uma merda, superarcaico. Quem vai querer mudar a educação, cara? Você acha que as famílias do Nordeste, as famílias ricas, que dominam a política e detêm quase todo o patrimônio, vão querer dar ensino pro povo? Pro povo começar a ver que eles estão roubando? Acho difícil. Acho que, enquanto não melhorar a educação, isso tudo que tá acontecendo aí é boi de piranha.”.