A quarta temporada de Black Mirror estreou na Netflix e os comentários sobre cada episódio explodiram na internet durante os últimos dias. Pensando nisso, nada melhor que dar uma analisada básica em cada um dos seis episódios:

S4X01: US Callister

USS Callister, primeiro episódio da quarta temporada de Black Mirror, nos transporta para dentro de uma paródia de Star Treck. Dirigido por Toby Haynes e escrito por William Bridges e Charlie Brooker, somos apresentados a um ambiente doentio e obsessivo, criado para tentar se “vingar” e aliviar as frustrações do cotidiano.

Apresentando a mente louca e genial de Robert Daly (Jesse Plemons), o episódio retrata até que ponto o ser humano, com a ajuda da tecnologia, pode ir para tentar criar sua “realidade perfeita” e esquecer o mundo de insatisfação que vive.

Além de uma narrativa fantástica, o episódio consegue unir humor com drama psicológico, conseguindo nos deixar intrigados e grudados na tela.

S4X02: Arkangel

Jodie Foster é um monstro quando o assunto é atuar, mas será que ela também é maravilhosa na direção? Um dos episódios mais comentados e esperados da quarta temporada era Arkangel, que foi dirigido por Foster, e ela não decepcionou.

Nesse episódio, vemos o quão obsessiva pode se tornar a cabeça dos pais quando o assunto é a segurança de seus filhos. A trama mostra um tipo de implante, feito na têmpora da criança e que permite que os pais, através de uma espécie de IPad, consigam enxergar o que o filho está enxergando, ver o estado de saúde (nível de cortisol, açúcar, uso de drogas, etc), e também colocar um filtro visual e sonoro naquilo que eles entendem ser algo que gera stress na criança.

Diante disso, o experimento parece funcionar muito bem, enquanto Sara (interpretada por Brenna Harding na fase adolescente) ainda é pequena, mas quando ela a crescer, as coisas começam a ficar complicadas.

Arkangel mostra o quão tênue é a linha entre querer garantir a segurança dos filhos e controlá-los, a ponto de interferir e vigiar a vida deles.

Com uma direção delicada e forte de Jodie Foster, o episódio está entre os melhores da temporada de Black Mirror.

S4X03: Crocodile

Provavelmente Crocodile é o episódio que os fãs de Black Mirror menos gostaram nesta temporada. Digo isso porque o roteiro de Charlie Brooker caminha por um viés diferente nessa trama. Sem focar na tecnologia em si, o episódio chega com o objetivo de mostrar que o ser humano é capaz de qualquer coisa para preservar seu status.

No episódio, Mia (Andrea Riseborough) recebe a visita de seu ex-namorado (Andrew Gower) e um segredo do passado acaba vindo à tona. Enquanto Rob está decidido a confessar, Mia quer evitar a qualquer custo que a verdade seja revelada, já que está preocupada em perder sua carreira e a vida que conseguiu construir. Desesperada, ela decide tirar a vida de seu ex para poder se livrar do segredo, mas acaba se vendo envolvida em uma trama ainda maior.

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Paralelamente, somos apresentados a uma nova tecnologia, onde é possível “assistir” as memórias das pessoas e é graças a essa nova invenção que Mia vai ver sua vida desmoronando aos poucos.

Apesar do roteiro ser um pouco previsível e sem pressa, o final do episódio surpreende e faz valer a pena cada segundo anterior.

S4X04: Hang the DJ

Imagina como seria a vida, caso você tivesse um programa controlando quantos encontros você precisa ter para achar o seu “par ideal”?. Além de controlar quem serão seus parceiros, o programa também determina quanto tempo, obrigatoriamente, você terá que ficar com a pessoa para poder chegar ao seu match perfeito. Louco, né?

Nesse episódio, somos levados a refletir sobre o futuro da tecnologia quando o assunto são as relações amorosas e como, em uma distopia, poderia funcionar a busca pela nossa alma gêmea.

Com uma pegada romântica, Hang the DJ mostra o medo da solidão, mas o otimismo e a determinação de encontrar a nossa metade.

Com Georgina Campbell e Joe Cole nos papeis principais, o episódio fofo é muito bem construído e nos apresenta uma química gostosa e viciante entre os protagonistas.

S4X05: Metalhead

Com uma atmosfera densa e pesada, o episódio é inteiro em preto e branco, o que já nos intriga de imediato. Mostrando um futuro sem esperança, Metalhead consegue nos fazer mergulhar naquele universo controlado por “cães robôs”, onde humanos tem que tentar sobreviver e fugir dessas máquinas.

Com pouquíssimo diálogos, o clima do episódio é intenso e nos faz ficar com aquela sensação de “não tem mais para onde ir”.

S4X06: Black Museum

Black Mirror não decepciona e encerra sua quarta temporada com seu melhor episódio. Apesar de eu ter amado Hang the DJ e USS Callister, Black Museum é meu preferido. Com um roteiro sensacional, uma atmosfera sinistra e atuações impecáveis, o sexto episódio nos leva para um museu cheio de artefatos tecnológicos bizarros, muitos deles já utilizados ao longo das quatro temporadas.

Diante disso, vemos o desenrolar de Rolo Haynes (Douglas Hodge), que é o guia e dono do museu, e Nish (Letitia Wright), e o tempo todos temos a sensação de que alguma coisa vai dar erado, só não se sabe exatamente o que até o grande final.

Pesado e cheio de referências a outros episódios de Black Mirror, Black Museum surpreende do começo ao fim, seja nas histórias por trás dos objetos do museu (que vão sendo apresentados por Haynes ao longo do episódio) ou no desenrolar do que está, de fato acontecendo, já que em Black Mirror, nada é o que parece.

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