Excelência como lema

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CEO Fábio Alonso

Laboratório Contraprova é referência no setor de exames toxicológicos, realizou cerca de meio milhão de exames em 2021 e amplia sua capacidade de atendimento

 

Escrita por: Claudia Mastrange

Fundado em 2009, o laboratório Contraprova é uma empresa especializada no fornecimento de análises laboratoriais nas áreas de Toxicologia, Biologia Molecular, Hematologia, Bioquímica e Imunologia, atendendo aos mais elevados requisitos de qualidade. Fruto do sonho e da experiência como peritos oficiais e farmacêuticos Fábio Martinez Alonso e Bruno Duarte, o Contraprova, em mais de uma década de expertise em análises laboratoriais, reuniu um time científico composto por mestres e doutores  e tecnologia de ponta, garantindo excelência na prestação de serviços.

Instalada em uma edificação de mais de  3000 m2, no bairro do Fonseca, em Niterói, no Rio de Janeiro, a empresa conta com uma equipe de aproximadamente 180 colaboradores e mais de 3500 postos de coleta credenciados, distribuídos em todas as regiões do país. A capacidade ampliada e o crescimento estrutural e técnico da empresa coincidiram com a chegada da pandemia. Com isso a empresa tornou-se referência no controle epidemiológico da COVID-19 e em pesquisas científicas. “Costumo dizer que as oportunidades só aparecem para quem está preparado”, conta Fabio Alonso, CEO do Contraprova.

Conheça um pouco mais dessa história de sucesso, nesta entrevista exclusiva concedida com a Mais Rio de Janeiro.

Conte um pouco de sua história na área de toxicologia e como isso o fez fundar o Contraprova.

Eu e Bruno Duarte (Diretor Técnico do Contraprova) somos peritos e trabalhamos muito tempo com pesquisa na área de entorpecentes. Em 2007/2008 fizemos um projeto de pesquisa, em que conseguimos caracterizar todas as amostras de ecstasy e cocaína apreendidas no Rio de Janeiro naqueles anos, e publicamos artigos. E aquilo criou na gente a sensação de que a gente tinha que fazer mais, tinha que fazer a diferença porque o resultado do nosso trabalho gerou muitos dados para a inteligência da investigação, mas o desdobramento não dependia só da gente. Então tivemos a ideia de montar um negócio em que  pudéssemos ajudar mais efetivamente no combate ao uso de entorpecentes.

Para não ficar só nos dados pura e simplesmente, certo?

Sim, porque, no combate ao tráfico de drogas, há uma política de enfrentamento que se mostra pouco eficiente. E a gente buscou uma saída através do empreendedorismo:  oferecer um serviço em uma área que pudesse fazer a diferença para a sociedade. Em 2009 fundamos o Contraprova, tendo por objetivo oferecer, no Rio de Janeiro, exames toxicológicos para detecção de drogas de abuso, focando em empresas, clínicas de reabilitação e para famílias. Fazíamos muito para famílias. O pai ou a mãe, desconfiados que o filho fosse usuário de drogas solicitaram e a empresa enviava um kit para a casa do cliente, que nos retornava com a amostra coletada para que fizéssemos a análise.

O Contraprova disponibiliza exames antidrogas para cabelos e pelos. Como funciona?

Viemos trabalhando nesse setor e, em 2011, fomos o primeiro laboratório brasileiro a desenvolver metodologia própria para oferecer exame antidrogas em cabelos e pelos. Essa metodologia permite que se tenha uma detecção bastante anterior ao uso da droga. Conseguimos detectar se a pessoa usou droga um ano antes da coleta, por meio da análise do cabelo.  O cabelo guarda informações sobre o passado daquela pessoa, é uma análise química. Usamos máquinas de última geração. São as mesmas utilizadas nos testes de dopagem dos atletas dos esportes olímpicos. Essa análise de cabelos e pelos chamamos de janela de larga detecção, por conta desse lastro de tempo de até um ano  para detecção.

Em 2015 passamos a focar no setor de concursos públicos, que exige esse tipo de exame especialmente para as carreiras policial e militar, no pré-admissional. O candidato aprovado em concurso tem que apresentar o exame toxicológico negativo para ingressar na carreira

A empresa cresceu bastante e foi abrindo outras frentes, né ?

Sim. Em 2016 a gente teve nossa maior transformação, por conta da aprovação da  Lei federal 13103, que é a lei dos caminhoneiros. O exame toxicológico passou a ser obrigatório para todos os motoristas profissionais, que são cerca  de 15 milhões no país. A empresa teve em então, um grande crescimento. Saímos de uma estrutura de 40  funcionários para 180. E de uma área de 400 m²  , para uma de 3 mil. Temos trabalhado forte e estamos alcançando uma projeção nacional. Hoje temos 3500 postos credenciados em todo o Brasil.

 

Como a empresa se posicionou com a chegada da pandemia?

Em 2019 começamos o projeto de ampliação de serviços, com o Contraprova Diagnósticos, antes da pandemia. E o que aconteceu? Como já estávamos nos preparando, estávamos também prontos para a pandemia. Rapidamente a empresa, em semanas, tornou-se dos maiores centros de testagem de covid-19 durante a pandemia. Na pandemia realizamos em torno de  um milhão de exames. Para empresas, pessoas físicas, órgãos públicos. Montamos operações de drive thru no Rio, em locais como  Parque dos Patins, Shopping Aero Town e Ribalta… E a demanda para testagem segue. Estamos inaugurando 5 postos de coleta de análises clínicas e, para 2022, o projeto é abrir mais 20 e iniciar o atendimento para planos de saúde, já que temos portfólio com uma grande variedade de exames.

Pelo que vemos, as demandas só aumentam…

Desde maio de 2020 estamos trabalhando de domingo a domingo, sem folga e sem feriado. A empresa trabalha todos os dias da semana.

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Ter se estruturado para crescer foi fundamental, certo?

Costumo dizer o seguinte:  quem está preparado.  A ampliação do nosso espaço diz muito. A primeira sede era do tamanho de uma sala. Fizemos um bom alicerce. Nunca demos um passo maior do que o que achávamos que poderíamos conseguir. E isso vai seguir porque a pandemia retrocede, mas, durante muito tempo continuarão sendo feitos  testes, para eventos, atividades artísticas, em empresas, concursos , neste último caso como já se fazia.

O que a pandemia impacta em relação a exames diagnósticos?

O legado que a pandemia vai deixar é o exame molecular para essas doenças respiratórias, que a gente sempre teve, só que não havia a cultura de testar. No pediatra, o diagnóstico é clínico.  Geralmente virose. Mas que tipo de virose, o que se está enfrentando? A covid jogou luz para a importância do diagnóstico molecular. São técnicas mais modernas, PCR, que vão permitir que se descubra qual o patógeno que está acometendo aquela pessoa. Se é influenza, coronavírus, vírus sincicial… Esse legado vai ficar. E realmente: não temos no horizonte a data para que paremos de testar as pessoas para covid. Porque há o aparecimento de novas variantes. Em algum momento alguma variante vai escapar da cobertura vacinal… Então a vamos  precisar continuar testando.

Acha que em algum momento vai acontecer?

Sim porque, quanto mais o vírus circula, maior o número de mutações terá. Porque a África está no centro das atenções? Porque o continente tem de 20% a 25% de cobertura vacinal. O vírus se replica muito e cada vez que se replica, muta. E no caso da África o problema nem é só a vacina, mas a estrutura para que ela chegue a todos em uma extensão continental. É preciso toda uma logística, meios de conservação…

A boa notícia é que o vírus muda para ficar menos agressivo porque se muda para matar o hospedeiro, ele se extingue junto com o hospedeiro.  Então naturalmente os vírus mudam, mas produzem variantes menos agressivas. Tenho uma teoria que, se acredito que muitas mortes causadas por covid 19 aconteceram por mutações dentro do hospedeiro. Só que essas mutações são tão agressivas que eles morrem junto com o hospedeiro e não conseguem ser transmitidos. Porque o vírus da covid gerou uma pandemia? Porque, em sua maioria, as pessoas têm sintomas leves. Se fosse extremamente agressivo a pessoa ficaria de cama e não poderia nem sair para transmitir. Há muita coisa para se aprender ainda.

A que setores a toxicologia abrange?

Toxicologia atende a muitos nichos específicos: motoristas das categorias C, D e E (caminhões, ônibus, vans precisam fazer a cada 2 anos e meio. Empresas que contratam motoristas precisam fazer o exame na admissão, no periódico e na demissão. Concursos públicos, nas áreas policial e militares, clínicas de reabilitação (para acompanhamento de abstinência) e empresas diversas que implementam programas de prevenção ao uso de drogas

Qual o diferencial do Contraprova?

Temos agora um método que permite que a empresa examine até 8 mil pacientes por dia, conferindo alta capacidade e menor prazo no mercado. E é o único laboratório do Rio credenciado ao Denatran (Departamento Nacional de Trânsito).

Mais uma vez ampliando a capacidade para atender a uma maior demanda…

Pois é.  Desde maio, com a aprovação do novo Código Brasileiro de Trânsito, foi definido um prazo para os motoristas de categoria C, D e E atualizarem o exame toxicológico. Estima-se que quase 3 milhões de motoristas estejam em situação irregular. Esse motorista terá uma multa pesada, de R$1.467,35,  além de ter o direito de dirigir suspenso por três meses. Um problema, já que o trabalhador depende da direção para sustentar sua família. O prazo começou a valer a partir de 12 de novembro. É uma obrigação individual do motorista  que, na hora de renovar a carteira, se não estiver em dia com o exame toxicológico, receberá  a multa de balcão e ficará três meses impedido de dirigir.

Há mais novidades na empresa?

Sim, um setor novo que começamos a trabalhar agora no segundo semestre foi o de toxicologia ocupacional. Hoje estamos com um portfólio de análises para atendimento à NR 7 , norma criada para atender ao Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, que é uma norma do governo federal, que pede que a gente dose alguns marcadores de exposição. Então hoje o Contraprova está colhendo principalmente em empresas, com prazo de resultado de 24 horas. Exemplo: um funcionário é exposto ao chumbo. Então ele é dosado para saber se está sendo contaminado ou não pela sua atividade laboral. O grande diferencial é o prazo de 24 horas, quando, em geral, no mercado pede-se 5 a 7 dias para fornecer esse resultado.

A pandemia afetou bastante a economia mundial, mas no caso do Contraprova a demanda fez com que a sua empresa crescesse. É preciso enxergar novos caminhos, mesmo em momentos de crise?

Total. Enxergamos adiante. Foi preciso ver que a pandemia poderia acabar com nosso negócio e, num segundo momento, enxergar na crise uma oportunidade. Vimos muitos empresários que não se adaptaram e, quem não sucumbiu, saiu muito machucado. Para  oferecer em larga escala esse tipo de exame, precisávamos estar preparados para atender a essa imensa demanda. É preciso visão, agilidade nas decisões e trabalhar com excelência.